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8 de ago. de 2013

Marinaleda, uma utopia socialista em meio ao caos capitalista.

Marinaleda é uma pequena cidade espanhola onde não há desempregados, todos tem moradia, a terra é propriedade comunitária e as decisões municipais são obtidas em assembleias populares.
A Espanha entre os países europeus apresenta um dos piores cenários da crise econômica, e em Marinaleda vemos como a luta por um modelo alternativo de civilização é possível.
O vídeo a baixo é uma reportagem portuguesa que mostra a realidade e a história de luta anti-capitalista dessa pequena cidade espanhola.



Emir Sader entrevista José Mujica, presidente do Uruguai


Excelente entrevista concedida pelo presidente do Uruguai José Mujica a Emir Sader. De forma calma e humildemente didática, Mujica explica através da progressista história uruguaia como conquistas que, para nos brasileiros, parecem utópicas foram atingidas.

4 de abr. de 2013

Um novo líder para uma nova América Latina?

Nos últimos anos após sua saída da presidência da república, o presidente Lula iniciou uma serie de viagens internacionais com um grande foco nos países da América Latina e África. Em pouco tempo Lula passou a representar um modelo de "esquerda elegível".

Esse modelo de "esquerda elegível" passou a ser tido por outros lideres nacionais latino-americanos como um modelo de esquerda mais palatável vide uma perspectiva unanime entre os partidos de esquerda em adotarem uma natureza de partidos de massa. 

As classes subalternas, as massas, tendem historicamente a adotarem posições conservadoras. Ao longo do percurso histórico da América Latina não podemos esquecer-nos do caráter profundamente elitista na fundação dos estados nacionais, e do profundo trauma nacional ocorrido no período pós-ditaduras. A soma dos fatores acima fez que com que o discurso das esquerdas, em sua maioria advindas de uma tradição política marxista-leninista e ou marxista, fosse profundamente rejeitado e bombardeado como um discurso pró-ditadura pelas elites e seu monopólio dos meios de comunicação.

A eleição do presidente Lula em 2002 se deu através de um processo de desconstrução da imagem do PT como um partido de perspectiva autoritária e da construção da imagem de uma esquerda conciliatória aberta a concessões políticas em prol da governabilidade de um projeto social-desenvolvimentista. Após a reeleição do presidente Lula em 2006 e da crescente importância do Brasil em nível internacional fez com que esse modelo de esquerda fosse evocado por líderes e candidatos como um modelo que adotariam, como uma estratégia de conquista das classes subalternas e de parcelas das elites.

Esse novo modelo de esquerda cumpriu seu papel de romper com estigma de que os partidos de esquerda são incapazes de chegar ao poder por vias democráticas, embora as devidas críticas, e autocriticas, devam ser feitas. Este novo modelo de esquerda conciliatória tem como principal caráter a ser criticado sua, até agora, incapacidade de aprofundar um processo revolucionário com vias ao fim da democracia liberal e a ascensão de uma democracia socialista.

O mérito maior da ascensão do presidente Lula como nova figura da esquerda latino-americana é do fortalecimento de um modelo de esquerda democrática, embora a crítica deva ser feita, pois uma sem uma radicalização da democracia, uma democracia socialista não nascerá na América Latina.

4 de fev. de 2013

A oposição e seus lideres falidos


           Duas das maiores tarefas para qualquer partido é gerar lideres, e renovar seus quadros. Aliar esses dois processos é de crucial importância para que um partido não perca a capacidade de renovar seu discurso, sem esquecer-se de suas bandeiras, na medida em que a população renova suas demandas políticas, sociais e econômicos.
            O PT mesmo com todos os seus defeitos, soube, com a liderança do Presidente Lula, renovar seus quadros de uma forma não convencional. Uma das características mais nocivas da política é o apego e o desejo à perpetuação do poder. Hoje no Brasil nos podemos encontrar deputados e senadores que estão no poder desde os tempos da ditadura, e muitos destes tolhem dentro de seus próprios partidos quaisquer avanços de novos quadros, potenciais lideranças, que com um novo discurso e novas práticas podem suplantar por vez seus lugares, e nenhum partido está isento desse tipo de prática.
            O presidente Lula ao lançar a companheira Dilma Rousseff à corrida presidencial em 2010 soube antever essas dificuldades e soube analisar que muitos dos quadros consagrados da política brasileira se encontram hoje falidos no discurso e no projeto. Muitos falaram em 2010 que a Dilma seria apenas um poste, aqueles que puderam assistir com atenção o discurso em cadeia nacional de radio e televisão no ultimo dia 23 de janeiro vão perceber que a Dilma que concorreu à presidência em 2010 já não existe mais. A Dilma de hoje é um política da grande política, e quando preciso da pequena política, mas mais do que isso hoje ela é uma líder. Liderança que foi formada por vias não tradicionais devido ao processo de apego ao poder que existe nas figuras clássicas da política brasileira. Nesta área o PT tomou uma decisão ousada e pioneira ao limitar o numero de candidaturas que seus quadros podem assumir.
            Nestes 10 anos de governo petista a oposição parece nada ter aprendido, ao pré-lançar a candidatura de Aécio Neves, um senado apático e sem grandes projetos, com uma equipe composta majoritariamente pelos velhos assessores de FHC o PSDB está juntando o velho ao paleolítico. Está incapacidade em avaliar que existem problemas estruturais nos partidos levará a oposição a mais um fracasso eleitoral, a não existência de uma oposição é revés para a republica brasileira, e por mais que ela, a oposição, e a grande mídia digam o contrario a culpa é única e exclusivamente dele próprios. 

2 de fev. de 2013

A História Não Contada dos Estados Unidos


Em seu novo trabalho, agora na televisão, Oliver Stone se propõem a contar um outro lado da história dos Estado Unidos. O lado escondido dessa história.

A história estadounindense como ela é contado sempre atendeu a um paradigma clássico: "A história é contado pelo vencedor". Nessa min-serie Stone busca desnudar fatos não contados, ou mesmo mal contados sobre a forma com que os EUA se tornaram o império, que ainda hoje, ele é. A serie vai preencher um período histórico que vai do fim da segunda guerra mundial até o primeiro governo Obama. Dessa forma partindo de uma abordagem pela esquerda Stone vai contar  o inicio, o apogeu e o principio do fim do império americano.

27 de jan. de 2013

Redução da energia elétrica e as eleições de 2014



Poucos podem ter entendido a real importância do pronunciamento da presidenta Dilma no último dia 23, para aqueles mais atentos com o desenrolar do jogo político pós-eleições municipais ficou explicito os atores que estão se preparando para disputar a eleição presidencial. Aécio Neves, Marina Silva são os dois atores que sempre são lembrados entre os fortes candidatos ao pleito nacional, mas que ainda não lançaram agendas para a disputa eleitoral.

Quando a presidenta não só antecipa o anuncio da redução, mas aumenta os percentuais ela está se antecipando tanto em relação à oposição quanto em relação à mídia está aos poucos construindo uma agenda de discussão eleitoral que esteja dentro de sua zona de conforto. Quem pensa que a presidenta vai se limitar a possuir a redução da energia como única bandeira eleitoral não entende de política. O próximo “alvo” da presidenta será, o tão propagandeado pela mídia oportunista que vê em Eduardo Campos uma nova Marina Silva, pacto federativo.

Resolver o pacto federativo colocaria a presidenta Dilma na posição de não apenas a primeira presidente do Brasil, mas também a posição de presidente que melhor e mais discutiu e resolveu problemas estruturais do estado brasileiro. Se o governo Lula foi um governo da política, o governo Dilma está sendo um governo da estrutura. O estilo “gerencial/gestor” de Dilma está enfim se propondo a efetivamente pensar soluções para problemas estruturais que se arrastam no país desde a redemocratização.


A reeleição da presidenta é continuidade de um projeto político que se iniciou em 2002 com eleição do presidente Lula e que agora se qualifica. A eleição do presidente Lula quebrou barreiras: a primeira delas política rompendo com um histórico de governos iminentemente elitistas, a segunda simbólica quando enfim a classe trabalhadora pode chegar à presidência do país e a terceira e ultima cultural ao elevar o Brasil internamente e externamente (mesmo a elite reacionária brasileira expondo no horário nobre todos os dias o contrario) ao papel que sempre lhe foi de direito, um país aberto, ativo, e amigos para com seus irmãos. Mas a eleição da presidenta Dilma vai além com um novo modo de fazer política que nos devemos defender e nos unir na luta.

14 de nov. de 2012

Documentário: Guerra do Brasil - Toda a Verdade Sobre a Guerra do Paraguai

Depois de algum tempo sem postagens trago hoje um video, o documentário Guerra do Brasil - Toda a Verdade Sobre a Guerra do Paraguai. Um grande documentário sobre uma parte importante da história do Brasil que tem obtido a merecida atenção.


2 de nov. de 2012

A Postura Demagógica Pós-Eleitoral


Findadas as eleições ocorre um fenômeno característico daquilo que Gramsci chama de “pequena política” ou “política de corredores, de intriga” e que eu particularmente gosto de chamar de postura demagógica pós-eleitoral.

A postura demagógica pós-eleitoral fica mais explicita nos políticos que saem derrotados nas urnas, muitos destes ao decorrer, ou mesmo antes, do processo eleitoral ao se consideraram superiores ao partido e à própria militância acreditam que apenas o seu nome é suficiente para que sejam eleitos. Esquecem-se, esses políticos, de que num partido como o PT a primeira medida de um candidato que se pretende ser eleito em um cargo majoritário e a conquista da própria militância do partido. Estes mesmo políticos acreditam que apenas a força de gordas verbas de campanha e de nomes aparentemente “fortes” podem ser suficientes para elegê-lo, e ao não terem sucesso no pleito eleitoral terminam por insistir em críticas, estas nas muitas vezes as mesmas ao qual usaram como argumento para sustentar suas candidaturas ante uma visão majoritariamente contraria à mesma por parte da militância, contra aliados internos e externos criando, ou agravando, situações e/ou conjunturas que poderiam ser destencionadas e/ou evitadas.

Chamo estas críticas de demagógicas, pois as mesmas quase magicamente são convertidas em afagos e elogios ao menor tintilar de moedas. E aqui se encontra o caráter nocivo de tais quais críticas, pois elas geralmente são advindas de uma prática política pragmática e utilitarista, pois são críticas completamente desconexas da realidade da conjuntura política ao qual os candidatos estão inseridos, e esses políticos tem consciência dessa desconexão, e fazem essas críticas para não assumirem que suas decisões, em muitas vezes “caciquistas”, foram as responsáveis pela derrota no pleito eleitoral. Quando da consciência e da conquistas da militância para um projeto político-eleitoral a derrota, quando vem, se deve a fatores externos além da capacidade dos candidatos. Quem podem ser desde uma real conquista do eleitorado pelo adversário do pleito, até a práticas eleitorais viciosas e venenosas como a compra de votos.

A postura demagógica pós-eleitoral é um vicio recorrente a lideranças desgastadas e temerosas da renovação partidária.


3 de set. de 2012

O Cantar das Pedras de 2014



Existe uma expressão que cai bem ao vocabulário político “Cantar a Pedra”, “cantar a pedra” geralmente é utilizado quando alguém previu acontecimento futuros. Na política “cantar a pedra” não é apenas prever o que vai acontecer, mas sim dizer o cenário que se pretende construir. O ato de “cantar a pedra” na política é usado mais como um “aviso” velado do que como uma previsão.

A relação entre a imprensa e os políticos é um caso de amor e ódio, os políticos amam a imprensa quando lhes “favorecem” e a odeiam quando lhes “prejudicam” e a imprensa é sempre o veiculo que eles, os políticos, usam quando querem “cantar uma pedra”. Analisar com cuidado as notas e entrevistas à imprensa concedidas por políticos nos permite ter um vislumbre de quais podem ser suas próximas jogadas, aliando um conhecimento das práticas políticas e da cultura política do político é possível quase que prever o que os “avisos” escondidos nas “pedras cantadas” querem dizer e a quem se direcionam.

Ao analisar as notas e entrevistas à imprensa deve-se considerar o cenário político em que o político que as concede está inserido dentro de seu partido e quais as relações políticas que este desenvolve, se submete e ou está ligado. A política está cheia de mestres titereiros¹ e não é de nenhuma raridade que estes se utilizam de outros para “cantar suas pedras”, às vezes quando um político “canta uma pedra” ele o está fazendo sob coordenação de outrem.

As entrevistas concedidas durante as eleições deste ano de 2012, contem dezenas de “pedras cantadas” sobre o cenário que se estabelecerá nas eleições de 2014. Tentar entender o cenário que vir a ser construído é de suma importância para que nem os analistas políticos cometam previsões com grandes disparidades em relação à realidade e para que os atores políticos não se deixem cair em engodos políticos que já ocorreram e não souberam antever e se preparar.

Existem no Brasil cinco capitais cujo processo eleitoral é de suma importância para tentar compreender qual o cenário que pode vir a ser construído para o ano de 2014. Os movimentos políticos e entrevistas a cerca das eleições municipais de Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo podem nos dizer hoje quem planeja o que para 2014 e quem quer construir qual cenário para 2014 e por que.

E aqui destaco de forma singular o caso das eleições municipais do Recife onde certos engodos construídos com verdades deram errado e seus articuladores podem tentar de novo, só que em nível nacional.


1 Mestre Titereiro, nome dado aquele é especialista na manipulação de bonecos.


13 de ago. de 2012

O que há de escandaloso no escândalo Libor?

O que se chama de “escândalo” é, na verdade, o coração do sistema.

POR IMMANUEL WALLERSTEIN

Desde 4 de julho, lemos nos maiores jornais do mundo e nas declarações de deputados, dirigentes de bancos centrais e autoridades judiciais que há um “escândalo” a envolver uma coisa chamada Libor. Antes disso, poucas pessoas, para além do grupo que se interessa por bancos, tinham ouvido falar da Libor. Subitamente, disseram-nos que os maiores bancos da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos, da Suíça, da Alemanha, de França, e provavelmente de um grande número de outros países, estavam envolvidos em ações supostamente “fraudulentas”.

Além disso, explicaram-nos que não se tratava de uma questão de centavos. Derivados financeiros de centenas de trilhões de dólares baseiam-se na taxa Libor. A acusação era de que os bancos “manipulavam” esta taxa, obtendo não só lucros astronómicos; só que, por outro lado, as pessoas que estavam pagando hipotecas e empréstimos, ou os estudantes que estavam pagando empréstimos, pagaram mais do que deveriam. Resumindo: os bancos obtiveram, de fato, lucros enormes à custa de outros, que tiveram perdas pesadas.

Tudo isso suscitou muitas questões. (1) Como isso foi possível? (2) Por que as autoridades reguladoras não interromperam uma prática que agora dizem ser tão fraudulenta; ou seja: quem sabia o quê e quando? E (3) alguma coisa pode ser feita para garantir que isto não aconteça novamente?
Vamos começar com a definição da taxa Libor. É uma abreviação de London Interbank Offered Rate (Taxa Interbancária Praticada em Londres). Não é muito antiga: a versão definitiva é de 1986. Na época, a British Bankers Association (Associação dos Banqueiros Britânicos) pediu que os “maiores bancos” compartilhassem informação diária sobre as taxas de juros que pagariam, se tomassem empréstimos de outros bancos. Depois de eliminados os valores extremos, determinava-se uma taxa média, modificada diariamente. A ideia era que, se os bancos se sentissem confiantes sobre o estado da economia, a taxa seria mais baixa; se estivessem inseguros, a taxa seria mais alta.
Quando a imprensa mundial usou a palavra “escândalo” para falar sobre a Libor, ficou claro que o tema tinha sido debatido muito antes, em ambientes menos visíveis. Parece que o Wall Street Journal tinha divulgado um estudo, em 29 de maio de 2008 (sim, em 2008!), sugerindo que alguns bancos estavam subestimando os custos dos empréstimos. Outros imediatamente disseram que o estudo era impreciso ou, se correto, que os bancos tinham agido de forma inadvertida. Análises acadêmicas subsequentes sugeriram, contudo, que a acusação de subestimação dos custos era de fato verdadeira.


A questão é que quando um banco está a lidar com 50 trilhões de dólares em valores teóricos, uma pequena subestimação de taxas gera imediatamente um aumento significativo dos lucros. Assim, a tentação era óbvia. Acontece que, já no início de 2007, tanto o Federal Reserve quanto o Banco da Inglaterra suspeitaram dessa subnotificação. Nenhum fez muita coisa.
Agora dizem-nos que essas taxas, longe de serem confiáveis ou estáveis, são na verdade meras “suposições”. Desde que o Lehman Brothers entrou em colapso, os bancos em todo o mundo deixaram de realizar empréstimos entre si. Como disse o New York Times, num artigo de 19 de julho de 2012: “As taxas precisas têm pouca base real”. Em 2011, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos começou uma investigação criminal. Graças a fugas de informação, sabemos agora que houve trocas de e-mails entre banqueiros que falavam alegremente da subestimação das taxas, e encorajavam a fazê-lo. Por que não? Estavam a ganhar muito dinheiro.


No meio disto tudo, o Independent publicou uma reportagem de duas páginas sobre os paraísos fiscais, e a quantidade incrível de dinheiro que sai dos países do Sul global para esses lugares, privando-os assim de valores que provavelmente seriam mais que suficientes para financiar as transformações econômicas e a redistribuição de rendimentos que estes países afirmam querer pôr em prática. Ao contrário das manipulações da Libor, os paraísos fiscais são perfeitamente legais.
Então, onde está o escândalo? As duas práticas – manipulação da Libor e transferência de dinheiro para os paraísos fiscais – são absolutamente normais numa economia-mundo capitalista. A finalidade do capitalismo, afinal de contas, é a acumulação de capital – quanto mais, melhor. Um capitalista que não maximiza os ganhos, de uma forma ou de outra, será mais tarde ou mais cedo eliminado do jogo.
O papel dos Estados nunca foi controlar ou limitar estas práticas, mas fazer vista grossa pelo máximo de tempo possível. Uma vez ou outra, as práticas – dos capitalistas e dos Estados – são momentaneamente expostas. Algumas pessoas vão para a cadeia, ou são forçadas a devolver os lucros tecnicamente ilegais. E os políticos falam de reformas – procurando adotar, com grande alarde, o nível mais baixo de “reforma” que puderem.


Mas isto não é um escândalo, porque o que se chama de “escândalo” é, na verdade, o coração do sistema. Algum dia vai isto mudar? Sim, claro. Um dia, o sistema deixará de existirá. Claro que isso abre outra questão. O próximo sistema será melhor? É possível, mas não é certo.
Enquanto isso, chamar a manipulação da Libor de escândalo é desviar as atenções do fato de que se trata de mais uma forma normal de acumular capital. Em 1992, James Carville, estrategista da campanha do então candidato Bill Clinton à Presidência dos EUA, saiu-se com um dito que ficou famoso: “É a economia, estúpido”. Frente aos chamados escândalos, deveríamos dizer “É o sistema, estúpido”.



Direto de Esquerda.Net

(*) Tradução, revista pelo autor, de Luis Leiria para o Esquerda.net

9 de ago. de 2012

Os Meios e os Fins


Autor: 
 , direto de Advivo
Marcos Coimbra
Há os que desgostam do PT, dos petistas e de tudo que fazem com tal intensidade que  qualquer explicação é desnecessária. Apenas têm aversão profunda pelo que o partido representa.
Alguns a desenvolveram por preferir outros partidos e outras ideias. Mas são a minoria. Os mais sinceros anti-petistas são os que somente sentem ojeriza pelo PT. Veem um petista e ficam arrepiados.
Sequer sabem a razão de tanta implicância.
Detestavam o PT quando era oposição - dizendo que era intransigente - e o detestam agora que está no governo pela razão oposta - acham que é tolerante demais. Odiavam os petistas quando vestiam camiseta e discursavam na porta das fábricas. Hoje, os abominam porque usam terno e gravata e a fazem pronunciamentos no Congresso.  
Um dos argumentos que invocam para justificar a birra é capcioso: o mito da “infância dourada” do PT, quando ele teria sido virginal e puro. O invocam com o intuito exclusivo de ressaltar que teria perdido algo que, em seu tempo, não admitiam que tivesse.
O PT abstrato e irreal que criaram é uma figura retórica para denunciar o PT que existe de fato - que não é nem menos, nem mais real que os outros partidos que temos no Brasil e no mundo.
Além desse anti-petismo figadal e baseado em pouco mais que um atávico conservadorismo, há outro. Que pretende ser mais sóbrio.  
Nestes tempos de julgamento do “mensalão”, é fácil encontrá-lo.
Seus expoentes são mais racionais e menos folclóricos. Usam uma lógica que parece sólida.
O que mais os caracteriza é dizer que não discutem os fins e sim os meios do PT. Que não são anti-petistas por definição, mas que repudiam aquilo que os líderes petistas fizeram para chegar ao Planalto - e passaram a fazer depois que o partido lá se instalou.     
Ou seja, sua oposição não questionaria o projeto petista, mas sua tática. Não haveria problema no fato de o PT querer estar - e estar - no poder. Mas em o partido ter usado meios inaceitáveis para lá chegar e permanecer. 
Parece uma conversa bonita. E nada mais é que isso.
No fundo, esse anti-petismo é igual ao outro. Sua aparente sofisticação apenas dá nova roupagem aos mesmos sentimentos.
O que o anti-petismo não perdoa em José Dirceu - e outras lideranças que estão sendo julgadas - não é ter usado “meios moralmente errados” para alcançar “fins politicamente aceitáveis”. Salvo os mal informados, seus expoentes sabem que o que o ex-ministro fez é o mesmo que, na essência, fariam seus adversários se estivessem em seu lugar - sem tirar, nem por.
Quem duvidar, que pesquise quem foi e como atuava Sérgio Motta, o popular “Serjão”, “trator” nas campanhas e governos tucanos.
(Com ele, não havia meias palavras: estava em campo para garantir - seja a que preço fosse -, 20 anos de hegemonia para o PSDB - e que ninguém viesse a ele com a cantilena da “alternância de poder”. Não foi por falta de seu empenho que o projeto gorou.)
O pecado de José Dirceu é ter tido sucesso no alcance dos fins a que se propôs - um sucesso, aliás, notável.
Sem sua participação, é pouco provável que tivéssemos o “lulopetismo” - um dos mais importantes fenômenos políticos de nossa história, gostem ou não seus adversários. Sem ele, o Brasil não seria o que é.
Isso é muito mais do que se pode dizer de quase todos os contemporâneos.
Mas é essa a realidade. Enquanto José Dirceu vive sua ansiedade, Sérgio Motta é nome de ponte em Mato Grosso, anfiteatro em Fortaleza, centro cultural em São Paulo, praça no Rio de Janeiro, edifício em Brasília, avenida em Teresina, usina hidroelétrica no interior de São Paulo e rua na longínqua Garrafão do Norte, nos rincões do Pará.
E de um instituto em sua memória, patrocinado pelo governo federal, que distribui importante prêmio de arte e tecnologia.
Gente fina é outra coisa.

22 de jun. de 2012

A Volta dos Golpes?


Honduras, Paraguai qual será o próximo pais latino-americano que passara por um golpe de estado?


Hoje o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, sofreu um processo de impeachment sendo então destituído de seu posto de presidente e em seu lugar foi convocado o vice-presidente, Frederico Franco.

Ambos os golpes fora realizados sob a mascara de manobras constitucionais democráticas, e como todo golpe de estado com o pretexto de assegurar a democracia. Ambos os golpes tiveram outra característica peculiar, a rapidez dos processos político-institucionais que levaram à saída dos presidentes de Paraguai e Honduras.

Os países da América Latina ao saírem de suas ditaduras militares escolheram como modelo de governo o presidencialismo, modelo de governo que como ficou claro nos anos subsequentes à sua implementação requer um profundo controle do congresso por parte do Presidente caso este queira que suas propostas sejam aprovadas ou que seu governo chegue ao fim. Já que este mesmo parlamento é o único capaz constitucionalmente a garantir que o presidente continue no poder após sua eleição.

E de forma clara esse foi o caso do Paraguai.

A pergunta que se deve fazer é: Estaria a América Latina assistindo uma volta ao tempo dos golpes de estado?

Muita especulação pode ser feita, mas eu diria que Argentina, Venezuela e Equador podem ser os próximos. Eu espero que não.



Rodrigo Louriçal